ARTIGO

 

Zé Pereira, Xandu, Xandu e Marcolino Diniz

Numa época em que os casamentos consangüíneos eram corriqueiros, o número de filhos bastante elevado e os homônimos existiam em todo lugar, Princesa apresentou alguns casos interessantes. Acreditem, parece que o imbróglio foi grande. Certas famílias estão tão entrelaçadas, que suas árvores genealógicas mais parecem um quebra-cabeça.

Ao ler textos sobre a história do município, vez por outra deparava com "´cabôco´ Marcolino, cunhado de Zé Pereira". E em outras ocasiões, "Zé Pereira, tio do ´cabôco´ Marcolino". Não conseguia encaixar as peças. Concomitantemente, percebi a existência de duas Xandus. Depois, conversando com o jornalista e radialista Zé Duarte, conhecedor do assunto, descobri o seguinte: o “coronel” Marcolino Pereira casou com Águida de Andrade ("Sinhá" Águida), a união gerou Zé Pereira e Doninha. Esta enamorou o “coronel” Marçal Florentino Diniz e teve os filhos Xandu e Marcolino Diniz. Este se uniu a outra Xandu, filha do "major" Floro, que, num episódio famoso ocorrido em meados de 1930, foi capturada durante a invasão da PM a Irerê, encarcerada na própria residência e resgatada à bala pelos "soldados" de Zé Pereira, comandados por Marcolino Diniz. A paixão do "cabôco" por ela ficou imortalizada na música de Luiz Gonzaga (clique aqui para ouvir).

Zé Pereira casou-se com a própria sobrinha, Xandu. Dizem que ele foi dar uma de alcoviteiro para um amigo e acabou envolvendo-se com a moça.

Então ficou explicado: Zé Pereira é irmão de Doninha, que é mãe de Marcolino Diniz, que é irmão de Dona Xandu, que firmou matrimônio com Zé Pereira. Assim, realmente, este é tio do ´cabôco´, que também é seu cunhado. Além disso, o "coronel" Marçal é ao mesmo tempo cunhado e sogro de José Pereira e o "coronel" Marcolino e "Sinhá" Águida são avôs e bisavôs de Aloysio e Luizinha. O raciocínio é um pouco intrincado, mas dá para compreender. Nem chegamos aos trisavôs, tetravôs, pentavôs, etc., onde o negócio deve complicar ainda mais.

 

PEQUENA ÁRVORE GENEALÓGICA, com parentesco somente até bisavôs*

* Foram omitidos alguns personagens desta árvore genealógica, como, por exemplo, os outros filhos do "coronel" Marcolino e "Sinhá" Águida, pois não eram fundamentais para a compreensão do pensamento contido no texto.

(Mardson Medeiros)

ICONOGRAFIA

 

 

 

 

 

"Marcolino Pereira Lima - pai de José Pereira Lima, chefe político e prefeito de Princesa, além de deputado estadual. Com sua morte em 11/09/1905, José Pereira assumiu a chefia da família e da política local." Avô, por parte de pai, e bisavô, por parte de mãe, de Aloysio Pereira.

FONTE: LIMA, Aloysio Pereira. Princesa 1884/1984: José Pereira, a chama ainda acesa. Série IV Centenário. João Pessoa: A União, 1984.

 

 

 

 

 

"Marçal Florentino Diniz - pai de d. Alexandrina (D. Xandu) e cunhado e sogro do coronel José Pereira."

FONTE: LIMA, Aloysio Pereira. Princesa 1884/1984: José Pereira, a chama ainda acesa. Série IV Centenário. João Pessoa: A União, 1984.

 

 

 

 

 

 

"Dona Alexandrina Pereira Lima (D. Xandu), esposa do ´coronel´ José Pereira." Fotografia feita muitos anos depois da união com o chefe político, que também era seu tio.

FONTE: LIMA, Aloysio Pereira. Princesa 1884/1984: José Pereira, a chama ainda acesa. Série IV Centenário. João Pessoa: A União, 1984.

 

 

 

 

 

 

"Marcolino Diniz (o ´cabôco´ Marcolino) trocou a faculdade e os bois zebus pelo fuzil. E sua única recompensa foi Xanduzinha. Ambos se imortalizaram na canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas". Na foto, ele aparece já bem idoso e cego de um olho, seqüela de 30.

FONTE: MARIANO, Paulo. Princesa Antes e Depois de 30. João Pessoa: EGN, 1991. 

 

 

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