NOTÍCIA

 

João Pessoa - PB, 10 de junho de 2004

 

Divulgação expressa

 

Engana-se quem pensa que Princesa Isabel não está na imprensa contemporânea. Apesar de não ter um periódico próprio — o que só ocorreu de verdade em 1930 com a publicação do "Jornal de Princeza"1 —, a cidade ainda possui alguns representantes jornalísticos na ativa. Sebastião Lucena mantém coluna na internet, que pode ser lida em "O bê-á-bá do sertão" ou diretamente no "Sítio do Tião"; Zé Duarte escreve mensalmente para o "Jornal Emprasarial", de Patos, e Miguel Lucena para o "Correio Braziliense". Neste último, saiu matéria especial, no dia 26 de maio de 2004, sobre o São João no Nordeste, com texto sobre Princesa, que segue abaixo.

1sem contar, obviamente, com o recente panfletário, sarcástico, apócrifo, adorado e ao mesmo tempo odiado, chamado  "O Picão".

(Mardson Medeiros)

 

Um cangaceiro na esquina
(Miguel Lucena - especial para o Correio Braziliense, 26 de maio de 2004)

   "Muita gente não sabe que o 'pau pereira´ que ronca na música de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira é lá de Princesa Isabel, município situado no sudoeste da Paraíba, rodeado de serras e de clima bastante ameno para os padrões do sertão nordestino. O pau pereira que roncou contra as forças policiais do presidente João Pessoa, em 1930, numa revolta que transformou Princesa em território livre por seis meses ainda ronca em homenagem a São João e São Pedro.

    Homens vestidos de cangaceiros - imitando os cabras do coronel Zé Pereira, o chefe político e líder da Revolta de Princesa - postam-se nas esquinas da cidadezinha, à boca da noite, e disparam intermitentes tiros de bacamartes, lembrando os combates travados em cada viela e moita de jurema-preta entre soldados e revoltosos.

    Princesa é, também, a terra do Caboclo Marcolino, aquele que tinha oito bois zebus e casou-se com Xanduzinha, irmã do coronel Zé Pereira
2. Ele recebeu homenagem do Rei do Baião e ainda é lembrado nas festas juninas pelos inúmeros sanfoneiros que tocam nos forrós de esquina, freqüentados pelos mais pobres e chamados de 'bolos-doces´.

    Quem quiser ver festa boa, no São João e São Pedro, pode arrumar as malas e seguir com destino a Princesa. Não precisa nem levar casaco de frio, apesar dos 15 graus de temperatura, pois em cada casa o visitante encontrará uma fogueira acesa para esquentar o corpo e o coração. Não é o maior São João do mundo, como o de Campina Grande e Caruaru, mas com certeza é o mais aconchegante. As bandas de pífano, com seus benditos e ternos-de-reis, encantam pela sua singeleza.

     Os mais reservados, que não querem freqüentar os bolos-doces nem as festas de salão, podem facilmente contratar um sanfoneiro e matar a saudade dos velhos baiões aos pés da fogueira feita em frente à casa em que estiver hospedado. Os totalmente reservados têm como opção a Pousada do Cedro e as pensões de Antonio Teodósio, Dona Corina e Mané do Guirra.

    Os turistas ainda podem visitar as belas serras que cercam a cidade, as praias formadas pelo sangradouro do imenso açude Jatobá II, a pedra do sino, as minas de Cachoeira, o Quilombo do Livramento (um dos poucos que o bandeirante Domingos Jorge Velho não conseguiu localizar nem destruir) e o sobrado do coronel Zé Pereira.

    Sou Paraíba e não nego!"
 

Para saber mais, leia artigos com temas afins já publicados neste site:

Zé Pereira, Xandu, Xandu e Marcolino Diniz 2 (10/01/04);

Zé Dantas x Humberto, qual o verdadeiro co-autor das canções "Xanduzina" e "Paraíba"? (17/01/04).

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